top of page

Search this site

37 resultados encontrados com uma busca vazia

  • A melhor janela da cidade

    Minha janela estava com um dos trinques quebrados. Mas eu ainda tinha outro. Vida que segue. Só que, quando o segundo quebrou, não tinha mais escolha. Quando vivemos no Sul, com os constantes avisos da Defesa Civil sobre ventos fortes, não dá para arriscar. Acho que tenho a melhor janela da cidade. Busquei alguns profissionais, expliquei o caso. E todos os orçamentos não baixavam de R$ 500,00. Eu não pechincho, sei que cada trabalho tem o seu valor. Mas decidi consultar o ChatGPT. Mostrei o caso, fotos e dados importantes. Em sua resposta, ele disse “Com base na análise realizada, você possui aproximadamente 89% de probabilidade de executar esta tarefa de forma fácil e satisfatória.” Lá fui eu. Comprei as travas e as chaves necessárias. Organizei a agenda e lá estava eu, em uma tarde, arrumando minha janela, com a promessa de 89% de êxito. Quando percebi o alto índice de cortisol e minhas faculdades criativas sendo sugadas pelo meu sistema nervoso simpático, busquei respirar e contemplar o que via e ouvia pela minha janela. Como fui acreditar no ChatGPT? Amaldiçoei todas as gerações dos engenheiros da OpenAI. Era muito mais difícil do que parecia. Quando percebi o alto índice de cortisol e minhas faculdades criativas sendo sugadas pelo meu sistema nervoso simpático, busquei respirar e contemplar o que via e ouvia pela minha janela. A primeira coisa que captei foram os passarinhos. Diferentes cantos que, quase em coro, iam se intercalando. Depois escutei uma criança andando de patinete. E sua mãe gritando para esperar na faixa para atravessar. Aqui no Sul chamamos a passagem de pedestres de faixa. Era uma tarde gostosa de inverno, um dos meus dias preferidos. Friozinho com sol. Já começava a imaginar o pôr do sol no fim da tarde. Mas fui impelido pelo meu infeliz labor. Descobri que não era só trocar a trava. Precisaria tirar a janela, cada uma fixada com três parafusos. E, na maré de sorte, um deles caiu e foi ao chão. Apenas uma prece para que não tenha caído na cabeça de ninguém. Maldita gravidade. Minha atenção foi para uma senhora que caminhava com a ajuda de uma guria. Pelas roupas dela, acho que era a cuidadora ou enfermeira. Ou uma neta que trabalha como enfermeira e veio direto do trabalho visitar sua avó ou sua mãe. Acredito que meus pensamentos e julgamentos eram a base das histórias de Pheme. Pheme era uma divindade da mitologia grega associada ao rumor, àquilo que se espalha pela fala. Mais conhecida aqui pela província de fofoca. Aquela nona caminhava com dificuldade... mas caminhava. Na sequência, passou um casal mais velho. Mesmo com o friozinho, estavam indo para sua caminhada na orla. Pelo menos foi esse o meu julgamento. Estava me tornando um Sherlock Holmes da vida alheia. Terminei a bendita janela. Estava me tornando um Sherlock Holmes da vida alheia. A partir de hoje, levarei mais a sério a mensagem que o próprio ChatGPT traz “O ChatGPT pode cometer erros. Verifique informações importantes.” O trabalho demorou tanto que perdi o pôr do sol. Fiz o meu mate e fiquei contemplando o meu trabalho. Teria pacientes só no fim do dia. Fiquei pensando nos idosos que vi. Aqueles que estavam indo para a orla e aquela senhora que caminhava com dificuldade. Ambos estavam indo, de certa forma, se exercitar. Pensei: como quero viver quando estiver nessa idade? Sozinho, com alguém? Autônomo, precisando de ajuda? Não tenho as respostas. Acho que nem se conversasse com Pítia, sacerdotisa do templo de Delfos, adiantaria. O que sei é que, para ter uma velhice saudável, o trabalho começa hoje. Cuidar da alimentação, fazer exercícios, lidar com as frustrações e até mesmo enfrentar o desafio de se aventurar a consertar uma janela, num trabalho tão desafiador quanto um quebra cabeça. Talvez eu não tenha a melhor vista da cidade, mas gosto do mundo que passa pela minha janela.

  • Uma cuia baiana e reencontros em Feira de Santana

    Feira de Santana Cheguei na terça feira em Salvador. De lá, parti de carona com uma “conhecida”. Já nos conhecíamos de reuniões online e de muitas mensagens, mas aquela era a primeira vez que nos encontrávamos presencialmente. Há pesquisas recentes que usam a expressão “intimidade telepresente” para falar dessas relações que se constroem à distância, mediadas pela tecnologia, antes mesmo de um encontro presencial. Nos encontramos no ponto combinado. Embora talvez nem precisasse, nos apresentamos. E, do jeitinho brasileiro, trocamos um abraço de verdade. Acho que aquela confiança, tão natural entre duas pessoas que nunca tinham se encontrado, tinha alguma relação com o que nos levava até ali. Estávamos a caminho do XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial. Para Frankl, a existência humana carrega sempre a possibilidade do encontro. O ser humano não está fechado em si mesmo. Para Frankl, a existência humana carrega sempre a possibilidade do encontro. O ser humano não está fechado em si mesmo. Ele pode se abrir para o mundo, para uma tarefa, para um sentido e, especialmente, para outra pessoa. Frankl chama essa característica de autotranscendência da existência humana. É a capacidade de dirigir se para algo ou alguém além de si próprio. Limerci e eu seguimos para o interior da Bahia. Nosso destino era Feira de Santana, apresentada pelo professor Vinicius Bastos como o “Portal do Sertão”. O congresso foi maravilhoso. Uma organização impecável. Professores, estudantes e egressos trabalharam com muito cuidado para que tudo acontecesse. Mas havia algo que não estava na programação do evento. Uma energia que parecia contagiar todo mundo. O desejo de aprender, aprofundar e ampliar os estudos sobre a Logoterapia. Conheci o pensamento de Viktor Frankl quando ainda cursava Filosofia, por meio do professor Luciano Marques de Jesus, que depois foi meu orientador e que hoje tenho a alegria de chamar de amigo. Atualmente, aprofundo meus estudos com o professor Paulo Kroeff, com quem tenho a alegria de trabalhar no grupo de pais enlutados da Fundação Thiago Gonzaga. Durante o congresso, pude participar de seu curso e acompanhar suas palestras. Olhava ao redor e via tantas pessoas interessadas em escutá lo, aprender e fazer perguntas. Enquanto eu o escutava, tomando meu mate, pensei na sorte que tenho. Toda semana posso aprender com ele. No trabalho, no grupo de estudos, nas conversas. Às vezes nos acostumamos com as pessoas que estão perto e esquecemos do privilégio que é poder aprender com elas. Às vezes nos acostumamos com as pessoas que estão perto e esquecemos do privilégio que é poder aprender com elas. Aliás, sorte foi uma palavra que me acompanhou nesses dias. Imaginem a cena. Chego ao congresso, abro meu kit de chimarrão e percebo que esqueci a cuia em casa. Ela tinha ficado na pia, secando. Tentei improvisar com um copo. Não deu certo. E agora? Eu estava na Bahia de Todos os Santos. Talvez fosse o momento de pedir a intercessão de Nossa Senhora do Chimarrão. Porque, convenhamos, como fica um gaúcho sem seu mate? A prece foi escutada. Um “conhecido” conseguiu uma cuia para mim. Pronto. O equilíbrio do universo estava restabelecido. Agora tenho uma cuia baiana. Mas termino esta crônica lembrando de outro amigo. Um amigo que já não está entre nós. Conheci tua cidade. E ainda voltei com uma cuia baiana... Rafa esteve no meu aniversário. Quando contei que iria para Feira de Santana, ele abriu um sorriso e disse que aquela era sua cidade natal. Falou que depois me mandaria um áudio com algumas dicas. Lembro de um dia em que ele apareceu no escritório. Eu estava tomando chimarrão e ofereci um mate. Ele aceitou. “Tchê, tu toma mate?” Tomava. Era o baiano mais gaúcho que conheci. Rafa era daqueles que estavam sempre prontos para ajudar. Alegre, tranquilo, com um jeito leve de estar no mundo. Estudava Ciências Aeronáuticas na PUCRS. Gostava de aviões. Gostava do céu. Sonhava em voar. Ele me mandou o áudio sobre Feira de Santana. Deixei para escutar mais perto da viagem. Uma doença fulminante o levou antes disso. Tínhamos combinado um chimarrão na orla para a semana seguinte. Um mate que nunca aconteceu. Quando cheguei em Feira de Santana, lembrei daquele áudio. Coloquei os fones e escutei. O coração apertou. Depois caminhei pela cidade. Enquanto seguia em direção à universidade, comecei a imaginar os caminhos dele por ali. Será que ele passou por esta rua? Será que conhecia aquele lugar? Quando passei em frente a uma escola, pensei se ele poderia ter estudado ali. Era uma forma estranha de procurar alguém que eu sabia que não encontraria. No Dia do Psicólogo, recebi uma mensagem da mãe dele. Naquele dia, preparei meu mate e subi até a parte mais alta do hotel. Sentei perto da piscina e fiquei ali, cevando o chimarrão. O céu estava de um azul lindo. E eu sabia o quanto o Rafa amava o céu. Este foi o meu segundo congresso de Logoterapia. Encontrar pesquisadores, professores, psicólogos e estudantes com tanta vontade de aprender me fez lembrar do começo da própria história de Frankl. Ainda jovem, ele se dedicou a ajudar outros jovens que sofriam com a falta de perspectivas diante da vida. Talvez tenha sido justamente isso que primeiro me aproximou da Logoterapia. A possibilidade de ajudar alguém a encontrar um sentido. Em Feira de Santana encontrei muitas pessoas. Algumas eu conhecia apenas pelas telas. Outras eu reencontrei depois de muito tempo. Mas tive a estranha e bonita sensação de reencontrar também o Rafa. Não pelas ruas. No céu azul daquela cidade. Não pude mandar mensagem para ele dizendo que havia chegado bem. Então digo por aqui. Maninho, deu tudo certo com a viagem. Conheci tua cidade. E ainda voltei com uma cuia baiana. Um dia a gente ainda vai matear junto. Até lá, cada vez que eu cevar um mate nessa cuia, vou lembrar de você.

  • Eu vim para o Café da Morte!

    Enquanto dirigia, eu pensava em como faria quando chegasse lá. “Oi, eu vim para o Café da Morte?” Não. “Eu vim para o café que conversa sobre a morte?” Também não. Talvez fosse melhor dizer que eu tinha ido para o encontro do grupo que fala sobre finitude. Já fazia alguns meses que eu queria participar do Death Café Porto Alegre. Conheci o projeto enquanto pesquisava sobre educação para a finitude e, desde então, fiquei curioso. O Death Café é uma espécie de franquia social. Pessoas, muitas vezes desconhecidas, se encontram para comer bolo, beber café e conversar sobre a morte. O objetivo é bastante simples, embora bem complexo. No perfil do Instagram @deathcafeportoalegre, na bio eles se apresentam com o objetivo: Aumentar a consciência sobre a morte para ajudar as pessoas a aproveitarem melhor suas vidas finitas. O movimento nasceu a partir do trabalho do britânico Jon Underwood, inspirado nas ideias do sociólogo suíço Bernard Crettaz. O primeiro encontro aconteceu em Londres, em 2011, na casa de Jon, conduzido por sua mãe, Sue Barsky Reid. Em Porto Alegre, os encontros acontecem desde 2017. Cheguei à cafeteria e, para minha sorte, não precisei decidir qual das minhas frases usaria. A moça que me atendeu perguntou “Você veio para o encontro?” “Sim.” Primeiro desafio vencido. Eu não estava nervoso para conversar sobre a finitude. Afinal, esse é um dos meus temas de pesquisa. Leio sobre morte, luto e finitude quase todos os dias. O que me deixava inquieto era outra coisa. Eu não sabia quem encontraria naquele encontro nem o que me esperava. A divulgação dizia que o encontro começaria às 15h. Cheguei um pouco antes, só que sofri para estacionar. Quando entrei, quase todo mundo já estava lá. Talvez a pontualidade seja um pressuposto do Death Cafe. Será que é uma herança do fundador britânico? Ou o pessoal entende que o tempo não pode ser desperdiçado? Aumentar a consciência sobre a morte para ajudar as pessoas a aproveitarem melhor suas vidas finitas No fundo da cafeteria havia uma mesa enorme com umas dezenove pessoas. Fui acolhido por Natalia Frizzo, psicóloga, e Cristiane Moro, fisioterapeuta e doula da morte, que conduzem os encontros em Porto Alegre. A acolhida foi tão afetuosa. Trocamos logo de início um abraço daqueles de verdade. Sabe? Aqueles forte, com carinho misturado com saudade. Não aqueles protocolares. Sei que pode parecer pouca coisa, mas nós, sulistas, nem sempre distribuímos abraços assim, logo de saída. Às vezes o abraço exige algum tempo para cativar e ser cativado. Ali, não. Será que é a conciência que não sabemos quando é o último abraço? A mesa já estava lotada. Natalia puxou uma cadeira, procurou um espacinho e disse; “Aqui é que nem coração de mãe, sempre cabe mais um.” E coube. Sentei. Sobre a mesa havia livros sobre morte, luto e finitude. Entre eles, algumas calaveras do Día de Muertos, aquelas caveiras mexicanas coloridas e ornamentadas que, naquele contexto, pareciam observar silenciosamente nossa conversa. Calaveras do Día de Muertos, aquelas caveiras mexicanas coloridas e ornamentadas Eu não era o único novato. Depois da acolhida inicial, fomos convidados a nos apresentar. Éramos uns seis participando pela primeira vez. Havia psicólogas, professores, pessoas interessadas no tema e outras que estavam atravessando o luto pela morte de familiares ou de seus animais. Depois disso, a conversa simplesmente aconteceu. Sem palestra. Sem alguém tentando ensinar como devemos pensar a morte. Sem respostas prontas. As pessoas falavam. E as outras escutavam. Em alguns momentos peguei o celular para anotar frases que não queria esquecer. Tudo acontecia de um jeito curioso. Enquanto falávamos de morte, câncer, perdas, filhos, animais, medo e saudade, chegavam cafés, chás e bolinhos à mesa. E o clima não pesava. Não porque os assuntos fossem leves. Alguns estavam muito longe disso. Mas talvez porque ninguém estivesse tentando fugir deles. Em determinado momento, uma mulher que estava se recuperando de um câncer falou sobre sua experiência e disse; “Eu tenho medo de morrer.” Aquilo me deu um frio na barriga. Eu pesquiso a morte. Estudo a finitude. Leio sobre isso. Mas acho que também tenho medo de morrer. Enquanto anotava aquela frase, pensei no que eu faço com esse medo. A resposta que encontrei naquele momento foi simples. Eu vou encará lo vivendo. Mais tarde, outra participante falou sobre a dor pela morte de seu gatinho. Li textos sobre o luto de animais e como como precisamos compreender esse vínculo também na prática clínica. Mas ali não havia artigo científico. Havia alguém sentindo saudade. E enquanto ela falava, pensei na Parafina e no Antuan, meus gatinhos. Sei que um dia chegará a hora deles. Só de escrever isso já me da um nó na garganta. Confesso, que quando cheguei em casa, fiz questão de brincar um pouco mais com os dois. Temos aquilo que chamo de “hora da bagunça”. Geralmente termino com algumas evidências nas mãos, mordidas e arranhões. Também ouvi pais que perderam um filho e transformaram parte de sua dor em trabalho voluntário. Falamos sobre lutos que não encontram espaço para existir. Sobre perdas reconhecidas e outras quase proibidas. Havia muito mais naquela mesa. Muito mais do que caberia nesta crônica. Eu já estava terminando meu café quando Cristiane lançou uma pergunta para o grupo. “Vocês já pensaram no que gostariam que estivesse escrito na lápide de vocês?” O café parou. Literalmente. Eu estava tomando um gole. Trancou na minha garganta. Respirei, olhei discretamente para os lados e, aparentemente, ninguém percebeu meu quase afogamento por cafeína em pleno Café da Morte. Mas a pergunta ficou ecoando na minha mente. “Vocês já pensaram no que gostariam que estivesse escrito na lápide de vocês?” O que eu gostaria que estivesse escrito na minha lápide? Ou, talvez mais inquietante, o que minha família escolheria escrever? Uma senhora respondeu; “Ela viveu.” Outra pessoa falou; “Ele foi encontrar seu filho.” E então Cristiane contou que, em outro encontro, havia feito a mesma pergunta. Um senhor, bastante espiritualizado, respondeu que gostaria de colocar na lápide; “Aqui jazem os meus ossos, mas queria que fossem os vossos.” A mesa inteira caiu na gargalhada. Num café sobre a morte, a morte virou motivo de riso. Alguns dizem que falar atrai. Será? Porque falar da finitude não significa ficar sentado esperando a morte chegar. Ao contrário. Tomar consciência de que vamos morrer pode nos devolver à vida. Quando percebemos que nosso tempo é limitado, algumas coisas começam a perder importância. Outras ganham um valor imenso. Um café. Uma conversa. Um abraço recebido de alguém que acabamos de conhecer. Uma tarde com pessoas desconhecidas. A hora da bagunça com dois gatinhos. A possibilidade de dizer que amamos alguém enquanto ainda podemos dizer. O encontro chegou ao fim depois de uma hora e meia que pareceu muito menor. Talvez Cronos seja mesmo implacável. Ele não para porque estamos felizes. Não diminui o passo quando estamos distraídos. Não espera resolvermos nossas pendências para continuar andando. O tempo passa. E talvez não possamos fazer muita coisa contra isso. Mas podemos decidir o que fazemos enquanto ele passa. Saí do Café da Morte pensando menos sobre como eu gostaria que fosse a minha lápide e mais sobre a vida que existirá antes dela. Em setembro tem outro encontro. Desta vez, quando eu chegar à cafeteria, acho que já sei o que dizer. “Buenas, eu vim para o Café da Morte.”

  • Quem pode falar da morte?

    Quem pode falar da morte? Ou não se pode falar da morte? A segunda pergunta, pelo menos, parece ser a bandeira de alguns haters do cantor Jão. No fim de julho, ele lançou o álbum Memórias Póstumas. O trabalho veio depois de mais de um ano de pausa na carreira. Nesse período, Jão teve algumas perdas. Primeiro, a morte da avó. Depois, no meio do caminho, a morte do pai. Parte dessas experiências acabou encontrando espaço nas letras do novo álbum, que fala sobre luto, finitude, memória e até espiritualidade. Eu pesquiso a finitude e já era fã do Jão, então acompanhei o lançamento com certa curiosidade. Li entrevistas, ouvi as músicas e, como sempre faço, fui olhar os comentários. Um deles me chamou atenção. A pessoa dizia que a morte não deveria ser usada para fazer canções. Confesso que quase cliquei no perfil para descobrir se estava diante de uma especialista em saúde mental, uma pesquisadora em tanatologia ou alguém que tivesse dedicado alguns anos ao estudo do luto. Mas não precisei. Alguém que faz um comentário desses tem a profundidade de um pires. Usar a arte para elaborar uma perda não é novidade. Muito antes de Jão, pessoas já pintavam, escreviam poemas, compunham músicas e esculpiam a própria saudade. Uma parte considerável da história da arte nasceu justamente desse encontro entre o ser humano e aquilo que ele não conseguia explicar de outro jeito. E aqui talvez seja importante entender o que significa elaborar um luto. Elaborar não é esquecer. Não é superar alguém como quem supera uma fase difícil da vida. Muito menos deixar de sentir saudade. Elaborar um luto é, aos poucos, conseguir integrar aquela perda à própria história. É reconhecer que algo mudou definitivamente e aprender a viver dentro dessa nova realidade. O vínculo com quem morreu não precisa desaparecer. Ele pode mudar de lugar. Passa a existir nas lembranças, nos afetos, nos valores, nos gestos e nas marcas que aquela pessoa deixou. Talvez elaborar o luto seja justamente isso. Encontrar uma maneira possível de continuar vivendo sem precisar apagar quem partiu. Sou voluntário em um grupo de apoio a pais que perderam seus filhos. Vira e mexe, durante nossos encontros, alguém comenta que antes da perda praticamente nunca pensava sobre a morte. E faz sentido. Na real, ninguém quer pensar muito nisso. Embora seja uma das poucas certezas da nossa existência. Vivemos numa cultura que tenta afastar a morte do campo de visão. Falamos de juventude, longevidade, produtividade, saúde e felicidade. Nada disso é um problema. O problema talvez esteja no excesso, na tentativa de viver como se a finitude fosse um acidente reservado aos outros. Por muito tempo eu também tive dificuldade de olhar para ela. Lembro de quando encontrei um trecho do Cântico das Criaturas, de Francisco de Assis. Quase no final, Francisco escreve; “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal, da qual homem algum pode escapar.” Achei horrível. Como alguém poderia chamar a morte de irmã? Com o tempo, comecei a entender de outro jeito. Francisco havia vivido intensamente aquilo em que acreditava. Tinha amado, escolhido, renunciado, criado vínculos, errado, acertado e dado sentido à própria existência. Talvez por isso pudesse olhar para a morte não apenas como inimiga, mas como parte da condição humana. Não significa desejar morrer. Significa saber que se vai morrer. Não significa desejar morrer. Significa saber que se vai morrer. E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. Aqui, para mim, aparecem dois movimentos. Um é falar sobre a morte. O outro é perceber o que acontece conosco quando tomamos consciência da própria finitude. Existem hoje iniciativas de educação para a morte, estudos sobre finitude e espaços criados justamente para ajudar pessoas a falar sobre o tema. Alguns surgem no contexto de doenças graves e do envelhecimento. Outros simplesmente partem da ideia de que pensar sobre a morte pode nos ensinar alguma coisa sobre a vida. Gosto de imaginar isso como uma viagem de trem. Você está vivendo um encontro muito bom, mas sabe que o último trem parte em algumas horas. Conforme o horário se aproxima, algo muda. Você presta mais atenção na conversa. Talvez guarde o celular. Pede mais um café. Escuta melhor. Abraça com mais presença. O encontro não perdeu o valor porque vai terminar. Talvez tenha ganhado valor justamente porque você sabe que ele termina. A consciência da finitude pode produzir algo parecido. Ela nos coloca diante do tempo não apenas como Chronos, aquele que passa no relógio, mas como Kairós, o tempo vivido, percebido e preenchido de sentido. Por isso, se pudesse conversar com aquele perfil que escreveu que não deveríamos falar sobre a morte, talvez eu dissesse justamente o contrário. Precisamos falar. Com cuidado. Com respeito. Com responsabilidade. E a arte sempre foi um dos lugares onde conseguimos fazer isso. Nesse sentido, o trabalho de Jão presta um serviço para todos nós. Ele colocou a morte na conversa. Fez pessoas ouvirem músicas sobre ausência, memória e finitude. E, nos próprios comentários que li, encontrei gente falando sobre os pais, os avós, a saudade e a própria vida. Talvez seja isso que a boa arte faça. Ela não resolve a morte. Mas nos ajuda a encontrar palavras diante dela. E, quem sabe, ao falar um pouco mais sobre a morte, a gente aprenda alguma coisa sobre como deseja viver. Sêneca escreveu em Sobre a brevidade da vida que não é que tenhamos pouco tempo. Nós desperdiçamos muito do que temos. No fim das contas, talvez falar sobre a finitude nunca tenha sido apenas sobre morrer. Talvez sempre tenha sido sobre viver.

  • Precisamos aprender a ficar sozinhos em plena epidemia de solidão?

    Eu sempre gostei de ficar sozinho, em silêncio, quietinho. Meus amigos mais próximos sabem disso. Uma vez, uma amiga me mandou uma mensagem que dizia “vamos fazer algo no fim da tarde ou você está no modo claustro?”. Claustro é um espaço dentro do convento onde monges ou freiras costumam se recolher para rezar, meditar, silenciar. Não julguei a mensagem. Sei que, às vezes, meus amigos não entendem muito bem esse meu gosto pelo recolhimento. Em outra ocasião, quando recusei um convite, um amigo respondeu “vai, quando a tua bateria social acabar, você vai embora”. Eu sei que habitar a própria solidão não é para todo mundo. Em minha pesquisa sobre Logoterapia, encontrei a seguinte citação de Frankl “Nós precisamos, na verdade, de novos tipos de tempo livre, que permitam algum espaço para contemplação e meditação. Para tal fim, o homem precisa de coragem para estar só. (1)” Na hora em que li, fiquei feliz. Me senti justificado. Contudo, algum tempo depois, enquanto lia uma notícia intitulada “O que revela a chegada da epidemia de solidão ao Brasil”, foi como colocar essas duas ideias em uma balança. Até que ponto ficar sozinho é saudável? E quando essa experiência começa a produzir sofrimento? Lá fui eu pesquisar. Peguei o Relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social, “Da solidão à conexão social, traçando um caminho para sociedades mais saudáveis” (2). O relatório é profundo e busca auxiliar governos e instituições na compreensão do problema e na construção de respostas para ele. Fiquei surpreso ao descobrir que alguns países já criaram estruturas para enfrentar a solidão dentro das políticas de saúde pública, como o Reino Unido e o Japão. Gurizada, para esta reflexão, uma distinção me parece bem importante, se não, fundamental. Precisamos entender do que estamos falando quando usamos a palavra solidão. Só assim conseguimos compreender a experiência defendida por Frankl e aquela que a OMS e diferentes governos procuram enfrentar como um problema social e de saúde pública. A solidão, em seu sentido negativo, é uma experiência subjetiva e indesejada de desconexão. Ela aparece quando existe uma distância entre as relações que uma pessoa gostaria de ter e aquelas que efetivamente encontra em sua vida. Pode envolver quantidade de relações, apoio recebido ou, principalmente, a qualidade desses vínculos. Já a solitude é outra coisa. É o estado voluntário de estar só. Um tempo escolhido para descansar, desacelerar, recarregar, refletir, criar, meditar ou cultivar uma prática espiritual. Enquanto a solidão nasce da falta sentida de uma conexão desejada, a solitude nasce da escolha de estar consigo mesmo. E talvez esteja justamente aí a diferença que eu procurava. Enquanto a solidão nasce da falta sentida de uma conexão desejada, a solitude nasce da escolha de estar consigo mesmo. Quando Frankl fala sobre a necessidade de criarmos novas formas de viver o tempo livre e sobre a coragem necessária para estar só, ele parece falar de uma decisão. Há uma escolha em se retirar por algum tempo do ruído para encontrar silêncio, contemplação e sentido. Isso exige coragem porque ficar consigo mesmo também significa encontrar aquilo que o barulho cotidiano muitas vezes ajuda a esconder. A solidão que preocupa a OMS é diferente. É aquela que não foi escolhida. Surge quando uma pessoa deseja vínculos, presença, apoio e pertencimento, mas não os encontra. Pode ser atravessada por condições sociais, culturais, econômicas e estruturais que dificultam a construção de relações significativas. Lembrei então daquela velha ideia de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Talvez, aqui, a diferença esteja menos na quantidade de tempo que passamos sozinhos e mais na liberdade que temos diante desse tempo. Turma, uma coisa é escolher ficar só. Outra é não ter com quem estar. Eu continuo gostando dos meus momentos de claustro. Continuo precisando deles. Mas agora compreendo um pouco melhor que existe uma enorme distância entre recolher-se e sentir-se abandonado pelo mundo. Ficar sozinho pode ser bom demais, desde que seja uma escolha e não uma imposição. FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido. Fundamentos e aplicações da logoterapia. p. 123 OMS. From loneliness to social connection. Banner espaço crônica Palavras ao Vento

  • O que é o tempo? 

    Visitando o cemitério La Recoleta em Buenos Aires Lembro-me que foi o tema da minha primeira aula do curso de filosofia com o Prof. Leonardo Agostini. Eu, um jovem universitário discutindo e refletimos sobre a complexidade do tempo... talvez olhando para trás vejo que estava, como dizem os antigos, “mais perdido que cego em tiroteio”. Embora tenhamos embarcado na filosofia analítica, e os esforços do Profe. Léo fossem imensuráveis, consegui compreender as características do espaço e do tempo, bem como aspectos metafísicos e epistemológicos acerca do tema... No final da graduação fiquei no dilema entre os dois temas. O primeiro era sobre o sentido da/na vida em Viktor E. Frankl, o segundo era sobre o problema do tempo no pensamento em Henri Bergson... Escolhi o primeiro tema, mas o segundo me acompanha no meu processo de lifelong learning. Agora, chego na reflexão que fiz ao contemplar essa escultura, localizada no cemitério La Recoleta, inaugurada em 1822, como a primeira necrópole pública de Buenos Aires. Em hebraico seu nome é "Azrael". No Alcorão, é citado como "Malak al-Mawt". E nós podemos chamá-lo de O Anjo da morte. Na estátua eternizada em passos lentos, recordo o Tango. Na dança tipica dos argentinos, o bailarino se aproxima da dama em passos lentos e firmes. Ele quer ser visto, seus olhos são fixos no olhar da bailarina. Eis-que de frente dela, ele a pega pelos braços e justos começam uma dança vibrante e síncrona. No entanto, a chegada deste anjo é feito numa dança de passos lentos. Em uma das mãos o Anjo da morte traz a foice, a qual ceifara a alma do corpo, e na outra, traz uma ampulheta. Sim, uma ampulheta. Jovens, quando vi a ampulheta nas mãos da escultura, logo me lembrei do pensamento de Henri Bergson. Na filosofia moderna, Bergson nos ajuda a entender/pensar o tempo numa dimensão existencial, bem mais que uma dimensão teórica. De forma positiva e realista Bergson nos implica a compreender a nossa natureza efêmera. Quando temos a dignidade de entender essa transitoriedade da vida, mudamos de postura e passamos a viver com intensidade cada momento. Bergson, entende que tanto o passado como o futuro devem ser analisados a partir da ideia de presente. Tempo, morte e presente... Em minha reflexão sou levado ao texto "Cantico delle creature", de São Francisco de Assis. Escrito no dialeto da Úmbria, acredita-se que esteja entre as primeiras obras escritas no idioma italiano. Existe um trecho deste clássico franciscano que diz; “Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar...” Como pode alguém louvar a chegada da morte, e ainda chama-la de irmã? Bem, quem vive o presente, está vivendo. E assim, pode chamar a morte de irmã. Parece confuso, não é? Por fim, muitas pessoas estão vivendo de forma automática. Como li na porta de um banheiro de um bar: “você está construindo memórias ou apenas pagando boletos?” - jovens, o anjo da morte traz na mão o print do tempo. É como uma indagação que rompe a banalidade dos dias corriqueiros. A pergunta pulsa; e no final de tudo, como gastei o meu tempo? Acredito que não existe uma reposta. Sei que nossa vida é e será como a montanha-russa da vida, com altos e baixos... porém a música Epitáfio do grupo Titãs é como uma marca texto para os nossos dias inconstantes. “Devia ter amado mais, ter chorado mais... Ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais, e até errado mais. Ter feito o que eu queria fazer...”. "Nada é menos do que o momento presente, se entendermos por isso o indizível instante que separa o passado do futuro." Henri Bergson Malone Rodrigues

  • Como a Meditação entrou na minha vida?

    Hoje eu trabalho e pesquiso sobre meditação, mas o meu “rolo” já é bem antigo. Algumas pessoas não sabem, mas, eu fui durante 10 anos Frei Franciscano (OFM), na Ordem fundada por São Francisco de Assis. No processo de formação, vivenciei a etapa chamada Noviciado, “o grande silêncio”, um momento que considero que foi divisor de águas na minha vida espiritual. Vivi por um ano em um Convento São Boaventura, no alto do Vale do Taquari. Junto com meu formador, Frei Blásio Kummer, me aprofundei em práticas de contemplação, tão especiais para São Francisco, o poverello de Assis. Este, cultivava em sua vida, momentos de profundo silêncio e conexão com Deus na Igreja de São Damião, nos bosques e montanhas do vale de Perugia. Os anos seguiram. Depois do curso de Filosofia e durante a teologia, tentei aprofundar os estudos sobre os eremitérios, em especial sobre as capelas dos eremitérios. Eremitérios são lugares para o cultivo da Palavra, do silêncio e da solidão… imprescindíveis na vida religiosa. Em uma palestra, o então Provincial, hoje Dom Inácio Muller, disse que não podíamos cultivar nossa espiritualidade apenas com o “Oficio”, mas que precisávamos de momentos de silêncio e quietude. Isto me marcou. Tentei levar minha prática pessoal para os lugares em que trabalhava, como no Centro de Promoção da Criança e do Adolescente São Francisco de Assis, na periferia de Porto Alegre. Na casa Santa Clara, tive o apoio da Bruna, uma jovem que trabalhava lá, e que é muito identificada com o carisma franciscano. Com aquelas crianças em situação de vulnerabilidade entendi duas coisas; precisamos adaptar a linguagem quando falamos de mística, espiritualidade e silêncio O Silêncio faz bem e, pode conduzir todos para o encontro com o sagrado. Na época, percebemos que aqueles momentos estavam fazendo bem para as crianças e os adolescentes. É claro, não era uma pesquisa quantitativa — mas conseguimos perceber que aqueles momentos semanais de silêncio estavam ajudando em vários âmbitos, mas, qualitativamente falando, o mais evidente era a diminuição da violência. Continuei minha jornada… Em Roraima, região Amazônica, vivi um período cheio de desafios internos… pois foi lá que decidi sair da Ordem, a contemplação silenciosa me ajudou a olhar para o meu íntimo, e assim, responder com maturidade e responsabilidade sobre os rumos que iria dar para minha vida. Me mantive firme na busca de um cultivo e de uma mística interior. Comecei a trabalhar na PUCRS, e junto com o Prof. Leonardo Agostini, então coordenador do Centro de Pastoral da PUCRS, apresentei uma proposta, que lapidamos e apresentamos para o Pró-reitor da PROEX, Ir. Marcelo. Este, confiou no nosso “projeto teste” . O projeto não só deu certo, como foi ampliado. E lá se vão quase três anos. A pandemia fez com que assumíssemos um ritmo slow nas ações, mas o projeto continuou/continua contribuindo de maneira significativa com a comunidade acadêmica, mesmo que online. Eu sigo o caminho de cultivo pessoal, mas, percebi que posso aprofundar a prática da meditação junto a ciência. Mudei meu projeto de vida, larguei o curso de mestrado e me enveredei pela Psicologia. Campo este, que estou a cada dia mais identificando. Quero poder olhar para a meditação e a espiritualidade com as lentes da psicologia, neurociência, filosofia e com os olhos da fé… para saber como e quando a meditação pode ser um instrumento na psicoterapia. Quero descobrir quais os impactos da meditação no bem-estar subjetivo e entender como ela pode ajudar nos processos pedagógicos universitários e muito mais.... Mas isso é para os próximos textos. ;) Enfim, brevemente, este é um pouco da minha relação com a meditação.

  • Como é fazer terapia comigo? 10 perguntas para quem está pensando em começar

    Começar a fazer psicoterapia nem sempre é fácil. Às vezes, a pessoa sente vontade, mas também sente medo. Fica em dúvida sobre como funciona, o que vai precisar falar, se vai ser julgada, se vai dar conta, se realmente precisa ou se “não é sofrimento suficiente” para procurar ajuda. Mas, se tu estás pesquisando, buscando informações ou tentando entender melhor como a terapia funciona, talvez tu já tenhas dado um primeiro passo importante: reconhecer que cuidar da saúde mental importa. Foi o tempo em que se pensava que terapia era apenas para quem estava em sofrimento psíquico intenso. A psicoterapia pode ajudar em momentos de crise, sim, mas também pode ser um espaço de autoconhecimento, elaboração, cuidado, prevenção, escolhas e busca de sentido. Conversei com alguns amigos e pacientes e pedi que compartilhassem comigo dúvidas que tinham sobre psicoterapia e também sobre a minha forma de trabalho. Organizei neste texto algumas dessas perguntas e respostas. Espero que elas te ajudem a entender melhor esse processo e, quem sabe, a dar o próximo passo com mais tranquilidade. Por onde começamos? Começamos com uma sessão de avaliação. Nesse primeiro encontro, eu vou te conhecer melhor, entender o que estás buscando e avaliar como posso te ajudar. Também é o momento para tu conheceres um pouco da minha forma de trabalho. Quando possível, já construímos um plano terapêutico inicial, com alguns caminhos para o processo. Em alguns casos, pode ser necessário mais de uma consulta para compreender melhor a história, a demanda e os próximos passos. Esse primeiro encontro também é importante para tu perceberes se faz sentido para ti. Na psicoterapia, o vínculo terapêutico é fundamental. É importante que tu te sintas confortável, acolhido e com confiança para viver esse processo. Terapia também é encontro. E esse encontro precisa fazer sentido. Eu preciso saber exatamente o que estou sentindo? Não. Muitas pessoas chegam à psicoterapia dizendo: “não sei explicar, mas não estou bem”. E tudo bem. A terapia também é um espaço para colocar em palavras aquilo que, por dentro, ainda está confuso. Meu papel é te ajudar a falar, observar e compreender o que está acontecendo contigo, ou aquilo que tu vens enfrentando. A gente vai olhando junto, com calma, para os sentimentos, pensamentos, histórias, medos, escolhas e situações que talvez estejam pesando. Tu não precisas chegar com tudo pronto. A terapia também serve para organizar o que ainda não encontrou nome. Qual é a tua abordagem? Minha base clínica integra a Logoterapia e Análise Existencial, a Psicologia Positiva, práticas de regulação emocional e elementos da Filosofia, especialmente no cuidado com temas como sentido da vida, escolhas, sofrimento, liberdade e responsabilidade. Entendo a abordagem como um eixo que orienta a forma de olhar para o ser humano e conduzir o processo terapêutico. No meu caso, a Logoterapia é uma base importante, mas também uma abordagem transversal, que permite dialogar com outras técnicas e recursos. Por isso, gosto de pensar meu trabalho como uma caixa de ferramentas: nela entram minha formação em Psicologia, minha especialização em Logoterapia, Psicologia Positiva, Meditação, práticas de regulação emocional e minha formação em Filosofia. Ao longo do processo, vamos compreendendo juntos quais ferramentas fazem mais sentido para aquilo que a pessoa está vivendo, sempre respeitando sua história, seu tempo e suas necessidades. A terapia é só conversar? Conversar é uma parte importante da psicoterapia, mas não é “só conversar”. Na sessão, a pessoa pode trazer emoções, sentimentos, conflitos, dúvidas e situações que talvez ainda não estejam bem organizadas por dentro. A escuta clínica ajuda justamente a olhar para isso com mais calma: reconhecer padrões, compreender emoções, perceber repetições, entender por que determinadas situações incomodam tanto e construir caminhos possíveis. Ao longo do processo, eu também vou fazendo intervenções, perguntas e provocações, como: “tu te escutaste falando isso?” ou “o que essa situação está tentando te mostrar?”. Além da conversa, posso utilizar planejamentos, instrumentos, registros, pesquisas, testes e exercícios para ajudar a organizar sentimentos, pensamentos e comportamentos. Então, sim, a terapia envolve conversa, mas também envolve método, técnica, vínculo, reflexão e construção de recursos para lidar melhor com a vida concreta. A terapia pode ser online ou presencial? Sim. Atendo online e presencialmente, em Porto Alegre, no bairro Menino Deus. As duas modalidades podem ser profundas e eficazes, desde que exista vínculo, compromisso e um espaço adequado para o atendimento. Como saber se está na hora de procurar terapia? Talvez quando tu percebes que está difícil carregar tudo sozinho. Quando a ansiedade pesa, quando a tristeza se prolonga, quando o corpo dá sinais, quando as relações machucam ou quando a vida parece perder direção. Psicoterapia é um espaço de cuidado, escuta e reconstrução. Com o que você mais trabalha? Trabalho com demandas como ansiedade, depressão, luto, estresse, crises, transições de vida, dificuldades relacionais, autoestima, vazio existencial e busca de direção. Sou formado em Psicologia pela PUCRS e, ao longo da minha trajetória, fui aprofundando minha formação em Logoterapia e Análise Existencial, Psicologia Positiva, práticas de regulação emocional, manejo do estresse crônico e, mais recentemente, Tanatologia, que é o campo de estudo sobre a morte, o morrer e os processos de luto. Também tenho experiência com projetos de vida, especialmente em contextos universitários, o que me levou a estudar metodologias como o Ikigai. Na clínica, o sentido da vida entra como um eixo importante para compreender e reorganizar a experiência humana. Na sessão de avaliação, busco entender a tua demanda e perceber se tenho os recursos adequados para te ajudar. Quando entendo que outro profissional pode contribuir melhor com determinada situação, também faço esse encaminhamento com responsabilidade. Atendimento online funciona? Sim, o atendimento online pode funcionar muito bem, desde que a pessoa tenha um espaço reservado, seguro e com privacidade para a sessão. Atendo tanto online quanto presencialmente, e as duas modalidades podem ser profundas e efetivas. O mais importante é o vínculo, a continuidade e a qualidade do encontro. No online, a terapia pode acontecer de onde a pessoa estiver, facilitando a rotina e diminuindo deslocamentos. No presencial, há também a experiência do consultório como espaço físico de cuidado. A escolha depende do que faz mais sentido para ti. Vocês aceitam plano de saúde? No momento, não atendo por plano de saúde. No entanto, busco oferecer diferentes formas de pagamento para facilitar o acesso ao processo terapêutico. O pagamento pode ser feito via Pix, cartão de crédito por link de pagamento online ou boleto. Também existe a possibilidade de combinar formatos de pagamento por sessão, pacote ou fechamento mensal, conforme fizer mais sentido para cada pessoa. A ideia é encontrar uma forma viável, clara e organizada, para que o cuidado com a saúde mental também possa caber na tua realidade. O atendimento presencial é feito onde? O atendimento presencial acontece no meu consultório, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O espaço fica no Getúlio Vargas Prime Offices, na Av. Getúlio Vargas, 1151, Bairro Menino Deus, Porto Alegre/RS, CEP 90150-001. Também realizo atendimentos online, para quem prefere ou precisa de mais flexibilidade na rotina. Não encontrou o que estava procurando? Tudo bem. Me envie a sua dúvida e vou te responder com calma. Você pode entrar em contato comigo pelo WhatsApp: (51) 99998-5958 ou clicar diretamente aqui para iniciar a conversa:

  • O que é Logoterapia? Perguntas e respostas sobre o sentido da vida

    A Logoterapia e a Análise Existencial formam uma abordagem psicológica criada pelo médico e psiquiatra Viktor E. Frankl. Diferente de outras terapias, ela foca na busca por um propósito e na capacidade humana de superar desafios. Para aproximar esses conceitos da sua realidade cotidiana, preparamos 10 perguntas e respostas simples sobre como essa teoria pode ajudar você a viver de forma mais plena. O que é a Logoterapia e como ela pode me ajudar no meu dia a dia? A Logoterapia, muitas vezes chamada de "Terceira Escola Vienense de Psicoterapia", é uma terapia centrada no sentido da vida. A palavra grega logos significa "sentido". Diferente de outras abordagens que focam muito no passado ou nos instintos, a Logoterapia olha para o futuro e para as tarefas e propósitos que você tem a realizar. Ela pode ajudar no seu dia a dia quebrando o círculo de focar apenas em si mesmo e nos próprios problemas, orientando você a encontrar razões para viver e agir no mundo. 2. Quem foi Viktor Frankl e por que sua história nos inspira tanto? Viktor Emil Frankl Viena, 26 de março de 1905 - Viena, 2 de setembro de 1997. Viktor E. Frankl foi um psiquiatra austríaco que sobreviveu a quatro campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Nesses locais, onde as pessoas perdiam tudo, sofriam com a fome, o frio e a brutalidade, Frankl observou que os prisioneiros que tinham um propósito (como uma pessoa amada os esperando ou uma tarefa futura a cumprir) tinham maior probabilidade de sobreviver. A sua própria teoria foi testada ao extremo, provando que o ser humano é capaz de suportar condições terríveis se encontrar um "porquê" viver. 3. Muitas vezes sinto um tédio profundo e a sensação de que a vida não tem graça. O que é isso? A Logoterapia chama isso de "vazio existencial", um fenômeno muito comum nos dias de hoje, que se manifesta principalmente como um estado de tédio constante. Isso acontece porque, diferente dos animais, nós não temos instintos que nos dizem exatamente o que fazer, e, diferente dos nossos antepassados, as tradições já não ditam como devemos agir. Sem saber o que fazer, muitas pessoas acabam apenas imitando os outros (conformismo) ou fazendo o que mandam (totalitarismo). Esse vazio pode aparecer até no fim de semana, na chamada "neurose dominical", quando a correria da semana acaba e a pessoa se depara com a falta de conteúdo em sua vida. 4. Existe uma fórmula pronta ou um "sentido geral" para a vida de todo mundo? Não. Não existe um sentido abstrato ou geral da vida que sirva para todos. O sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, e até de uma hora para a outra. Em vez de perguntarmos à vida qual é o sentido dela, nós é que devemos reconhecer que a vida está nos fazendo perguntas diariamente, e nós respondemos a ela assumindo a responsabilidade pelas nossas ações e escolhas. 5. Como posso, na prática, descobrir o sentido da minha vida? Segundo Frankl, podemos descobrir o sentido da vida de três maneiras principais: Praticando um ato ou criando um trabalho (valores criativos); Experimentando algo, como a bondade, a beleza da natureza, ou amando alguém (valores vivenciais); Pela atitude que tomamos diante de um sofrimento inevitável (valores de atitude). 6. Se eu ficar desempregado ou não gostar do meu trabalho, minha vida perde o sentido? Não. O sentido da vida não se reduz apenas ao trabalho remunerado. Frankl percebeu, em estudos com jovens desempregados, que a "neurose de desemprego" vinha da ideia errada de que "não ter emprego = ser inútil = não ter sentido". Quando essas pessoas desempregadas passaram a usar seu tempo livre para fazer trabalhos voluntários, ajudar na educação de adultos ou na comunidade, a depressão delas desaparecia, mesmo que continuassem sem dinheiro. O ser humano não vive apenas de bem-estar financeiro, mas da necessidade de se sentir útil e com um propósito. 7. E os relacionamentos? O amor realmente dá sentido à vida? Sim, o amor é uma das vias mais profundas para se encontrar sentido. Quando experimentamos o amor e nos encontramos com outro ser humano em sua total originalidade, estamos vivenciando um sentido pleno. O amor permite que você veja a pessoa amada em sua essência e a ajude a realizar os potenciais que ela tem. Saber que alguém nos ama e nos espera no mundo é uma das forças mais poderosas para a sobrevivência humana. 8. Como a Logoterapia explica o sofrimento? Há sentido em sofrer? É fundamental entender que o sofrimento só tem sentido se ele for inevitável (como uma doença incurável ou a morte de um ente querido). Se você pode evitar o sofrimento, o certo é resolver o problema, pois sofrer sem necessidade é masoquismo, não heroísmo. Mas quando enfrentamos um destino que não podemos mudar, temos a oportunidade de realizar o valor mais elevado: a nossa atitude. Nós podemos transformar uma tragédia pessoal em um triunfo humano pela forma corajosa e digna como decidimos carregar essa dor. 9. Eu costumo culpar a minha genética e a minha criação por ser do jeito que sou. Posso mudar? A Logoterapia defende que o ser humano tem "liberdade da vontade". É claro que não somos totalmente livres das nossas condições biológicas (genética), psicológicas e sociais (ambiente). No entanto, nós temos a liberdade de tomar uma posição e escolher a nossa atitude diante desses condicionamentos. O homem não é um robô; ele sempre tem a capacidade de se elevar acima de suas condições e mudar. 10. Tenho muito medo de certas situações (como falar em público) e só de pensar nisso eu começo a gaguejar ou suar. O que posso fazer? Para esses medos (que a psicologia chama de ansiedade antecipatória, onde o próprio medo faz acontecer o que você teme), a Logoterapia utiliza uma técnica chamada "Intenção Paradoxal". O paciente é encorajado a desejar fazer, com bastante humor e exagero, exatamente aquilo que ele tem medo que aconteça. Por exemplo, se você tem medo de suar em público, deve dizer a si mesmo: "Vou suar o triplo agora, vou mostrar a todos como eu suo litros!". Ao rir de si mesmo e parar de lutar contra o sintoma, o círculo do medo se quebra e a ansiedade tende a desaparecer. REFERÊNCIAS FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. Tradução de Ivo Studart Pereira. São Paulo: Paulus, 2011. FRANKL, Viktor E. Conceitos Básicos de Logoterapia. Tradução de Walter O. Schlupp. Mens Sana Publicações Eletrônicas, 2011. FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 35. ed. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 1991. FRANKL, Viktor E. O que não está escrito nos meus livros: Memórias. Tradução de Cláudia Abeling. São Paulo: É Realizações, 2010. FRANKL, Viktor E. O sofrimento de uma vida sem sentido: caminhos para encontrar a razão de viver. São Paulo: É Realizações, 2015. FRANKL, Viktor E. Psicoterapia para todos: uma psicoterapia coletiva para contrapor-se à neurose coletiva. Tradução de Antônio Estêvão Allgayer. Petrópolis: Vozes, 1990. FRANKL, Viktor E. Sobre o sentido da vida. Tradução de Karleno Bocarro. São Paulo: SOBRAL, [s.d.]. LUKAS, Elisabeth. Logoterapia: a força desafiadora do espírito. Tradução de José de Sá Porto. São Paulo: Loyola, 1985. RODRIGUES, Malone. A busca de sentido da vida para o jovem contemporâneo em Vikor Frankl. Monografia (Graduação em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, 2015.

  • Formação em Facilitação do Protocolo de Meditação Slow (PMS) abre novas turmas online

    Malone Rodrigues, criador da prática slow. Uma nova oportunidade para quem deseja aprofundar a prática meditativa e aprender a conduzir experiências de atenção e desaceleração está com inscrições abertas. Trata-se da Formação em Facilitação do Protocolo de Meditação Slow (PMS) , um percurso estruturado que une vivência prática e formação metodológica, conduzido pelo psicólogo e filósofo Malone Rodrigues, autor da prática e do livro Meditação Slow. Baixe o PDF com todas as informações A formação será realizada de forma online, por meio da plataforma Google Meet, permitindo a participação de pessoas de diferentes regiões. Com encontros ao vivo, o curso foi desenhado para oferecer não apenas conhecimento teórico, mas uma experiência concreta de transformação na relação com o tempo, a atenção e o próprio ritmo de vida. O percurso está organizado em dois momentos complementares. Na primeira etapa, os participantes são convidados a vivenciar o Protocolo de Meditação Slow, experimentando práticas que desenvolvem presença, consciência corporal e regulação da atenção. Na segunda etapa, o foco se volta à formação em facilitação, com orientações sobre como conduzir práticas com segurança, intencionalidade e base metodológica. Manifeste seu interesse preenchendo o link; ainda não é a inscrição, mas assim entraremos em contato com você. Módulo 1 — Vivência do Protocolo (PMS) Encontro 1 Introdução à Prática Slow Fundamentos da Meditação Slow e primeiro contato com o protocolo. Encontro 2 Atenção e Olfato Exercícios de presença a partir da percepção olfativa. Encontro 3 Atenção e Audição Escuta consciente e aprofundamento da atenção auditiva. Encontro 4 Atenção e Visão Treino do olhar atento e contemplativo. Encontro 5 Atenção e Tato Consciência corporal e percepção sensorial pelo toque. Encontro 6 Atenção e Paladar Prática de presença aplicada à alimentação consciente. Módulo 2 — Formação em Facilitação Encontro 7 Fundamentos da Filosofia Slow Bases conceituais da desaceleração e sua relação com o cuidado. Encontro 8 Estrutura do Protocolo de Meditação Slow (PMS) Compreensão técnica do método e suas etapas. Encontro 9 Organização Pessoal para a Prática Rotina, disciplina e construção de um espaço de prática. Encontro 10 Aplicações em Contextos Profissionais Como conduzir práticas em empresas, escolas e outros espaços. Encontro 11 Facilitação de Grupos e Pessoas Postura do facilitador, condução e manejo de grupo. Encontro 12 Desenvolvimento de Práticas Contemplativas Criação de experiências e atividades a partir do protocolo. Ao longo dos encontros, os participantes terão acesso a um conjunto de materiais exclusivos, incluindo o livro físico Meditação Slow , material didático estruturado, uma série de áudios guiados e um grupo fechado de acompanhamento, favorecendo a continuidade da prática para além das sessões ao vivo. A formação contará com duas opções de turma: às segundas-feiras, das 17h às 18h30, e às sextas-feiras, das 9h40 às 11h. O investimento é de R$ 1.080,00 (à vista), com possibilidade de parcelamento em até 12 vezes de R$ 108,72,00. Mais do que um curso introdutório, a proposta é oferecer um caminho consistente para quem deseja aprofundar sua prática pessoal e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades para conduzir outras pessoas em experiências de meditação e desaceleração, a partir de um protocolo estruturado. Ao final da formação, os participantes receberão certificado de participação. As vagas são limitadas, e os interessados podem manifestar seu interesse por meio do formulário disponível no link abaixo: clique aqui ou acesse o link: https://forms.gle/2FWUFFptc6LLzmX39 Conheça quem vai conduzir essa experiência do protocolo de meditação slow Malone Rodrigues atua há mais de 10 anos conduzindo e facilitando práticas atencionais de meditação em universidades, escolas, empresas e instituições. É psicólogo pela PUCRS (CRP 07/42062) e filósofo pela mesma instituição, especialista (Lato Sensu) em Psicologia Positiva e Ciência do Bem-Estar, pós-graduando em Logoterapia e Análise Existencial e mestrando em Filosofia pela PUCRS. É instrutor de meditação pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e professor de pós-graduação na PUC-Paraná e no Instituto de Psicologia Aplicada Sapiens. Possui certificação internacional em Chief Happiness Officer pelo Instituto Feliciência e pela Woohoo Partners, da Dinamarca. É autor do livro Meditação Slow: encontre o ritmo saudável da vida através da meditação slow  e atua promovendo práticas e formações em meditação, inteligência atencional, interioridade, ikigai e sentido de vida. É sócio-fundador da Inspirare Centro de Saúde e Bem-Estar, onde atende como psicólogo clínico e lidera projetos voltados à saúde mental. Também desenvolve pesquisas sobre o impacto da meditação e da espiritualidade na busca de sentido de vida e é membro associado da ABLAE, Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial. Ficou com dúvida e quer saber mais? Manifeste seu interesse preenchendo o link; ainda não é a inscrição, mas assim entraremos em contato com você. Entre em contato para conversar e entender melhor a proposta. E-mail: psico.malone@gmail.com  | WhatsApp: (51) 99998-5958 | Instagram: @malone.rodrigues

  • Como nasceu a Meditação Slow: da pressa do mundo ao ritmo da vida

    Se eu te disser que a Meditação Slow nasceu de uma queda, talvez pareça força de expressão. Mas não é. Esse livro não é sobre parar tudo. É sobre aprender a viver no próprio ritmo. É sobre aprender a viver no próprio ritmo. Ela nasceu num daqueles dias em que o relógio aperta, a agenda empurra e a gente sente que está sempre chegando atrasado em algum lugar — mesmo quando chega no horário. Quando comecei a trabalhar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul , recebi um desafio claro: pensar um projeto que ajudasse a comunidade universitária a cuidar do bem-estar , da interioridade  e da espiritualidade . Missão dada, missão cumprida. Criei um projeto de meditação estruturado em dois eixos: formação  e vivência . No início, funcionava bem. Workshops, palestras, encontros pontuais. Mas, passado um ano, algo ficou evidente para mim: isso não era suficiente . As pessoas saíam tocadas, inspiradas… e voltavam para a mesma vida acelerada de sempre. Foi então que comecei a conduzir práticas semanais de meditação . Com o tempo, percebi que não bastava oferecer experiências isoladas. Era preciso propor um percurso . Algo acessível, dinâmico, humano. Algo que coubesse na vida real. Quando Cronos cai no chão e Kairós aparece Foi num desses dias comuns — comuns demais — que algo inesperado aconteceu. Eu estava apressado. O tempo do relógio (Cronos) me pressionava. Deixei cair minha pasta no chão. Dentro dela, dois livros que eu estava lendo. Um falava sobre o Movimento Slow . O outro, sobre práticas de meditação . Quando os dois livros tocaram o chão, tive uma epifania. Naquele breve instante — um verdadeiro tempo de Kairós — pensei: “Por que não unir o Movimento Slow com a meditação?” Não como moda. Não como discurso bonito. Mas como caminho prático para viver melhor . Da ideia ao método A partir dali, comecei a pesquisar, estudar, sistematizar. Nasceu o protótipo do Programa de Meditação Slow . Depois da aprovação pelas instâncias oficiais da Universidade, iniciei a implementação. O programa foi apresentado a estudantes, professores e funcionários. Com a pandemia, ele precisou ser adaptado para o formato online — e foi justamente isso que permitiu que a prática ultrapassasse fronteiras, chegando a outros estados e países. Hoje, seguimos em um processo contínuo de divulgação  e produção de pesquisas científicas , investigando os impactos da Meditação Slow no bem-estar, nos hábitos e nos padrões de pensamento dos praticantes. Foi com esse propósito que decidi compartilhar a metodologia neste livro: para que mais pessoas possam aprender, praticar e vivenciar . A Meditação Slow hoje Atualmente, a Meditação Slow não está apenas dentro da Universidade. Ela acontece em escolas, parques tecnológicos, hospitais e empresas . E preciso deixar algo muito claro: não se trata de tornar as pessoas mais lentas . Trata-se de ajudá-las a encontrar um ritmo de vida saudável , equilibrado, possível. Ou, como eu gosto de dizer, a encontrar a sua própria cadência existencial . Cronologicamente, se passaram apenas cinco anos desde o início dessa jornada. Ainda estamos no começo. Mas os frutos já são visíveis — e eu sei que, com a popularização da prática, poderemos aprofundar ainda mais os estudos, os benefícios e os impactos gerados. A teoria por trás da prática Existem muitas formas de definir meditação. E isso importa. Ao longo das minhas pesquisas, encontrei na obra do médico brasileiro Dr. Roberto Cardoso , especialmente no livro Medicina e Meditação , uma definição operacional que dialogava profundamente com aquilo que eu buscava. Tive a oportunidade de ser seu aluno na Formação de Facilitadores de Meditação em Saúde, promovida pela Unifesp, e desde então utilizo seus critérios como base técnica. Segundo essa abordagem, para que uma prática seja considerada meditação, ela precisa: utilizar uma técnica específica ; envolver relaxamento muscular  em algum momento do processo; promover o chamado relaxamento da lógica ; ser um estado autoinduzido , com uso de autofocalização . A Meditação Slow nasce exatamente desse cuidado: unir rigor, simplicidade e humanidade. Como funciona a Meditação Slow O objetivo da prática é ajudar o praticante a encontrar um ritmo de vida adequado e saudável , por meio de meditação e exercícios atencionais. Ela acontece em dois momentos: A prática em si , com técnica e passos definidos, realizada individualmente ou em grupo. A integração com a vida , organizada pelo próprio praticante, respeitando sua subjetividade e rotina. O elo entre essas duas partes é o relato da experiência . Na prática individual, ele acontece por meio do diário dos sentidos . Na prática em grupo, por meio da partilha. Toda a metodologia está sustentada por um conjunto de fundamentos interconectados, organizados em níveis pedagógicos: Filosofia do Movimento Slow Equilíbrio sensorial Poimênica Conectando esses níveis, estão elementos essenciais como prosoché (atenção) , comportamento  e comunidade . Nos próximos capítulos, exploro cada um desses aspectos com mais profundidade. Um convite final Se tu chegaste até aqui, talvez já tenhas percebido: a Meditação Slow não é uma técnica rápida para resolver a pressa. Ela é um convite para reaprender a viver no próprio ritmo . No livro Meditação Slow , compartilho essa caminhada, o método e as práticas que nasceram dela. Se fizer sentido pra ti, o livro está disponível no meu site. Talvez essa leitura seja um bom começo.

  • O sentido da vida para o jovem contemporâneo — baixe meu TCC completo

    Formatura em Filosofia. Durante minha graduação em Filosofia na PUCRS, dediquei minha pesquisa ao tema “O sentido da vida para o jovem contemporâneo em Viktor Frankl” . Esse trabalho marcou minha trajetória acadêmica e profissional, aproximando ainda mais minha caminhada da Logoterapia e do estudo sobre o sentido da vida. Hoje quero compartilhar esse material com você! 🌟O meu TCC completo está disponível gratuitamente  para leitura e download. 👉 Clique no link e faça o download: Clique aqui Espero que essa pesquisa inspire reflexões profundas sobre a juventude, os desafios contemporâneos e a busca de sentido em nossas vidas.

Entre em contato e descubra como posso te ajudar!

Você pode me chamar no WhatsApp 

(+55 51) 999.985.958

Consultório presencial: Getúlio Vargas Prime Offices

Av. Getúlio Vargas, 1157, Bairro Menino Deus. Porto Alegre | Rio Grande do Sul | Brasil

 
 
bottom of page