O que é Logoterapia? Perguntas e respostas sobre o sentido da vida
- Malone Rodrigues

- há 20 horas
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A Logoterapia e a Análise Existencial formam uma abordagem psicológica criada pelo médico e psiquiatra Viktor E. Frankl. Diferente de outras terapias, ela foca na busca por um propósito e na capacidade humana de superar desafios. Para aproximar esses conceitos da sua realidade cotidiana, preparamos 10 perguntas e respostas simples sobre como essa teoria pode ajudar você a viver de forma mais plena.
O que é a Logoterapia e como ela pode me ajudar no meu dia a dia?
A Logoterapia, muitas vezes chamada de "Terceira Escola Vienense de Psicoterapia", é uma terapia centrada no sentido da vida. A palavra grega logos significa "sentido". Diferente de outras abordagens que focam muito no passado ou nos instintos, a Logoterapia olha para o futuro e para as tarefas e propósitos que você tem a realizar. Ela pode ajudar no seu dia a dia quebrando o círculo de focar apenas em si mesmo e nos próprios problemas, orientando você a encontrar razões para viver e agir no mundo.
2. Quem foi Viktor Frankl e por que sua história nos inspira tanto?

Viktor E. Frankl foi um psiquiatra austríaco que sobreviveu a quatro campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Nesses locais, onde as pessoas perdiam tudo, sofriam com a fome, o frio e a brutalidade, Frankl observou que os prisioneiros que tinham um propósito (como uma pessoa amada os esperando ou uma tarefa futura a cumprir) tinham maior probabilidade de sobreviver. A sua própria teoria foi testada ao extremo, provando que o ser humano é capaz de suportar condições terríveis se encontrar um "porquê" viver.
3. Muitas vezes sinto um tédio profundo e a sensação de que a vida não tem graça. O que é isso?
A Logoterapia chama isso de "vazio existencial", um fenômeno muito comum nos dias de hoje, que se manifesta principalmente como um estado de tédio constante. Isso acontece porque, diferente dos animais, nós não temos instintos que nos dizem exatamente o que fazer, e, diferente dos nossos antepassados, as tradições já não ditam como devemos agir. Sem saber o que fazer, muitas pessoas acabam apenas imitando os outros (conformismo) ou fazendo o que mandam (totalitarismo). Esse vazio pode aparecer até no fim de semana, na chamada "neurose dominical", quando a correria da semana acaba e a pessoa se depara com a falta de conteúdo em sua vida.
4. Existe uma fórmula pronta ou um "sentido geral" para a vida de todo mundo?
Não. Não existe um sentido abstrato ou geral da vida que sirva para todos. O sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, e até de uma hora para a outra. Em vez de perguntarmos à vida qual é o sentido dela, nós é que devemos reconhecer que a vida está nos fazendo perguntas diariamente, e nós respondemos a ela assumindo a responsabilidade pelas nossas ações e escolhas.
5. Como posso, na prática, descobrir o sentido da minha vida?
Segundo Frankl, podemos descobrir o sentido da vida de três maneiras principais:
Praticando um ato ou criando um trabalho (valores criativos);
Experimentando algo, como a bondade, a beleza da natureza, ou amando alguém (valores vivenciais);
Pela atitude que tomamos diante de um sofrimento inevitável (valores de atitude).
6. Se eu ficar desempregado ou não gostar do meu trabalho, minha vida perde o sentido?
Não. O sentido da vida não se reduz apenas ao trabalho remunerado. Frankl percebeu, em estudos com jovens desempregados, que a "neurose de desemprego" vinha da ideia errada de que "não ter emprego = ser inútil = não ter sentido". Quando essas pessoas desempregadas passaram a usar seu tempo livre para fazer trabalhos voluntários, ajudar na educação de adultos ou na comunidade, a depressão delas desaparecia, mesmo que continuassem sem dinheiro. O ser humano não vive apenas de bem-estar financeiro, mas da necessidade de se sentir útil e com um propósito.
7. E os relacionamentos? O amor realmente dá sentido à vida?
Sim, o amor é uma das vias mais profundas para se encontrar sentido. Quando experimentamos o amor e nos encontramos com outro ser humano em sua total originalidade, estamos vivenciando um sentido pleno. O amor permite que você veja a pessoa amada em sua essência e a ajude a realizar os potenciais que ela tem. Saber que alguém nos ama e nos espera no mundo é uma das forças mais poderosas para a sobrevivência humana.
8. Como a Logoterapia explica o sofrimento? Há sentido em sofrer? É fundamental entender que o sofrimento só tem sentido se ele for inevitável (como uma doença incurável ou a morte de um ente querido). Se você pode evitar o sofrimento, o certo é resolver o problema, pois sofrer sem necessidade é masoquismo, não heroísmo. Mas quando enfrentamos um destino que não podemos mudar, temos a oportunidade de realizar o valor mais elevado: a nossa atitude. Nós podemos transformar uma tragédia pessoal em um triunfo humano pela forma corajosa e digna como decidimos carregar essa dor.
9. Eu costumo culpar a minha genética e a minha criação por ser do jeito que sou. Posso mudar?
A Logoterapia defende que o ser humano tem "liberdade da vontade". É claro que não somos totalmente livres das nossas condições biológicas (genética), psicológicas e sociais (ambiente). No entanto, nós temos a liberdade de tomar uma posição e escolher a nossa atitude diante desses condicionamentos. O homem não é um robô; ele sempre tem a capacidade de se elevar acima de suas condições e mudar.
10. Tenho muito medo de certas situações (como falar em público) e só de pensar nisso eu começo a gaguejar ou suar. O que posso fazer?
Para esses medos (que a psicologia chama de ansiedade antecipatória, onde o próprio medo faz acontecer o que você teme), a Logoterapia utiliza uma técnica chamada "Intenção Paradoxal". O paciente é encorajado a desejar fazer, com bastante humor e exagero, exatamente aquilo que ele tem medo que aconteça. Por exemplo, se você tem medo de suar em público, deve dizer a si mesmo: "Vou suar o triplo agora, vou mostrar a todos como eu suo litros!". Ao rir de si mesmo e parar de lutar contra o sintoma, o círculo do medo se quebra e a ansiedade tende a desaparecer.
REFERÊNCIAS
FRANKL, Viktor E. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. Tradução de Ivo Studart Pereira. São Paulo: Paulus, 2011.
FRANKL, Viktor E. Conceitos Básicos de Logoterapia. Tradução de Walter O. Schlupp. Mens Sana Publicações Eletrônicas, 2011.
FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 35. ed. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 1991.
FRANKL, Viktor E. O que não está escrito nos meus livros: Memórias. Tradução de Cláudia Abeling. São Paulo: É Realizações, 2010.
FRANKL, Viktor E. O sofrimento de uma vida sem sentido: caminhos para encontrar a razão de viver. São Paulo: É Realizações, 2015.
FRANKL, Viktor E. Psicoterapia para todos: uma psicoterapia coletiva para contrapor-se à neurose coletiva. Tradução de Antônio Estêvão Allgayer. Petrópolis: Vozes, 1990.
FRANKL, Viktor E. Sobre o sentido da vida. Tradução de Karleno Bocarro. São Paulo: SOBRAL, [s.d.].
LUKAS, Elisabeth. Logoterapia: a força desafiadora do espírito. Tradução de José de Sá Porto. São Paulo: Loyola, 1985.
RODRIGUES, Malone. A busca de sentido da vida para o jovem contemporâneo em Vikor Frankl. Monografia (Graduação em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, 2015.
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