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Como nasceu a Meditação Slow: da pressa do mundo ao ritmo da vida

Se eu te disser que a Meditação Slow nasceu de uma queda, talvez pareça força de expressão. Mas não é.

Esse livro não é sobre parar tudo. É sobre aprender a viver no próprio ritmo.
Esse livro não é sobre parar tudo. É sobre aprender a viver no próprio ritmo.


É sobre aprender a viver no próprio ritmo.

Ela nasceu num daqueles dias em que o relógio aperta, a agenda empurra e a gente sente que está sempre chegando atrasado em algum lugar — mesmo quando chega no horário.

Quando comecei a trabalhar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, recebi um desafio claro: pensar um projeto que ajudasse a comunidade universitária a cuidar do bem-estar, da interioridade e da espiritualidade. Missão dada, missão cumprida. Criei um projeto de meditação estruturado em dois eixos: formação e vivência.

No início, funcionava bem. Workshops, palestras, encontros pontuais. Mas, passado um ano, algo ficou evidente para mim: isso não era suficiente.

As pessoas saíam tocadas, inspiradas… e voltavam para a mesma vida acelerada de sempre.

Foi então que comecei a conduzir práticas semanais de meditação. Com o tempo, percebi que não bastava oferecer experiências isoladas. Era preciso propor um percurso. Algo acessível, dinâmico, humano. Algo que coubesse na vida real.

Quando Cronos cai no chão e Kairós aparece

Foi num desses dias comuns — comuns demais — que algo inesperado aconteceu.

Eu estava apressado. O tempo do relógio (Cronos) me pressionava. Deixei cair minha pasta no chão. Dentro dela, dois livros que eu estava lendo.

Um falava sobre o Movimento Slow. O outro, sobre práticas de meditação.

Quando os dois livros tocaram o chão, tive uma epifania. Naquele breve instante — um verdadeiro tempo de Kairós — pensei:

“Por que não unir o Movimento Slow com a meditação?”

Não como moda. Não como discurso bonito. Mas como caminho prático para viver melhor.


Da ideia ao método

A partir dali, comecei a pesquisar, estudar, sistematizar. Nasceu o protótipo do Programa de Meditação Slow.

Depois da aprovação pelas instâncias oficiais da Universidade, iniciei a implementação. O programa foi apresentado a estudantes, professores e funcionários. Com a pandemia, ele precisou ser adaptado para o formato online — e foi justamente isso que permitiu que a prática ultrapassasse fronteiras, chegando a outros estados e países.

Hoje, seguimos em um processo contínuo de divulgação e produção de pesquisas científicas, investigando os impactos da Meditação Slow no bem-estar, nos hábitos e nos padrões de pensamento dos praticantes.

Foi com esse propósito que decidi compartilhar a metodologia neste livro: para que mais pessoas possam aprender, praticar e vivenciar.


A Meditação Slow hoje

Atualmente, a Meditação Slow não está apenas dentro da Universidade. Ela acontece em escolas, parques tecnológicos, hospitais e empresas. E preciso deixar algo muito claro: não se trata de tornar as pessoas mais lentas. Trata-se de ajudá-las a encontrar um ritmo de vida saudável, equilibrado, possível. Ou, como eu gosto de dizer, a encontrar a sua própria cadência existencial.

Cronologicamente, se passaram apenas cinco anos desde o início dessa jornada. Ainda estamos no começo. Mas os frutos já são visíveis — e eu sei que, com a popularização da prática, poderemos aprofundar ainda mais os estudos, os benefícios e os impactos gerados.


A teoria por trás da prática

Existem muitas formas de definir meditação. E isso importa.

Ao longo das minhas pesquisas, encontrei na obra do médico brasileiro Dr. Roberto Cardoso, especialmente no livro Medicina e Meditação, uma definição operacional que dialogava profundamente com aquilo que eu buscava. Tive a oportunidade de ser seu aluno na Formação de Facilitadores de Meditação em Saúde, promovida pela Unifesp, e desde então utilizo seus critérios como base técnica.

Segundo essa abordagem, para que uma prática seja considerada meditação, ela precisa:

  • utilizar uma técnica específica;

  • envolver relaxamento muscular em algum momento do processo;

  • promover o chamado relaxamento da lógica;

  • ser um estado autoinduzido, com uso de autofocalização.

A Meditação Slow nasce exatamente desse cuidado: unir rigor, simplicidade e humanidade.


Como funciona a Meditação Slow

O objetivo da prática é ajudar o praticante a encontrar um ritmo de vida adequado e saudável, por meio de meditação e exercícios atencionais.

Ela acontece em dois momentos:

  1. A prática em si, com técnica e passos definidos, realizada individualmente ou em grupo.

  2. A integração com a vida, organizada pelo próprio praticante, respeitando sua subjetividade e rotina.

O elo entre essas duas partes é o relato da experiência. Na prática individual, ele acontece por meio do diário dos sentidos. Na prática em grupo, por meio da partilha.

Toda a metodologia está sustentada por um conjunto de fundamentos interconectados, organizados em níveis pedagógicos:

  • Filosofia do Movimento Slow

  • Equilíbrio sensorial

  • Poimênica

Conectando esses níveis, estão elementos essenciais como prosoché (atenção), comportamento e comunidade.

Nos próximos capítulos, exploro cada um desses aspectos com mais profundidade.


Um convite final

Se tu chegaste até aqui, talvez já tenhas percebido: a Meditação Slow não é uma técnica rápida para resolver a pressa.

Ela é um convite para reaprender a viver no próprio ritmo.


No livro Meditação Slow, compartilho essa caminhada, o método e as práticas que nasceram dela. Se fizer sentido pra ti, o livro está disponível no meu site.

Talvez essa leitura seja um bom começo.



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